sábado, 5 de setembro de 2015

Os Passadiços do Paiva

No passado domingo, o passeio foi a Norte. De tanto se falar nisso, lá combinámos um passeio até Alvarenga - Arouca, para ir conhecer os famosos Passadiços do Paiva. Eu confesso que andava com bastante vontade de ir lá conhecer aquilo, pois com tanta publicidade, reportagens e fotos nas redes sociais de pessoas que tinham lá ido (e "adorado"), fiquei com as expectativas bem altas (demasiado).

Não obstante da beleza geral da Natureza (que para mim, é sempre bela), após ter feito o percurso todo, fiquei com a impressão que a montanha pariu um rato. Afinal, tanta coisa, tanto falatório, tanta foto, para quê? Na verdade, não me arrebatou, não me convenceu a voltar lá e só me ficou na memória pelos pontos negativos, o que é mau.

Como o percurso é linear e só íamos fazer a ida, começámos por Areinho, que será mais fácil do que ao contrário (começar em Espiunca). Antes de iniciar a subida, passando pela ponte de Alvarenga, vemos a Garganta do Paiva, que é bastante bonita. Não é necessário fazer o percurso a pé para ver esta parte, pois tem-se acesso por estrada de alcatrão.

Podem ver nesta primeira foto, a primeira escadaria, que nos vai levar às alturas. E logo aqui se começa a ver a dificuldade do percurso. Sol directo e centenas de degraus, para ir desembocar num estradão de terra batida, cheio de pó (que será de lama com as chuvas...). Aqui já se consegue ver a loucura que a publicidade faz. Conseguem ver a quantidade de pessoas que vão a subir as escadas?
(cliquem na foto para aumentar)
Quando se chega ao fim da subida (ufa!), começa-se a ter a percepção do resto do percurso. Para mim, apesar da dificuldade, de tanto degrau e do calor, a parte inicial dos Passadiços foi a que eu achei mais bonita. Já lá em cima, começa-se a ver a Cascata das Agueiras, que é impressionante pela altura, apesar de não levar muita água.


(cliquem na foto para aumentar)
E como quando se sobe, tem que se descer, temos quase o dobro dos degraus para descer, para continuar no percurso. (Coitados do meus gémeos, que ficaram bem doridos com tanto sobe e desce). Vejam na foto abaixo parte do que se teve que descer. Quem faz o percurso no sentido inverso, terá que subir à volta de 700 degraus para finalizar o passeio.


(cliquem na foto para aumentar)
Não pensem que sou molenga. Pratico actividade física regular (quase diária), entre corrida de estrada, trilhos, caminhadas e trekking. Na verdade, o maior esforço físico, para mim que estou preparada, foi esta parte inicial. O resto foi fácil, apesar do calor e da falta de sombras. Agora, não aconselho que se vá fazer este percurso, se não tiver uma boa preparação física, só porque viu uma reportagem na televisão. É duro, principalmente se tiver um dia de sol e calor.
(cliquem na foto para aumentar)
Consequências da seca extrema: o caudal do rio Paiva estava bastante reduzido.


(cliquem na foto para aumentar)
E no final do percurso, uns eucaliptos para ainda me chatear mais (natureza intocada...). Consegue-se ver, através desta espécie não nativa de Portugal, no meio do rio Paiva quase seco, uns afloramentos rochosos, que achei bastante interessantes.


(cliquem na foto para aumentar)
Há realmente umas quantas praias fluviais (mais para o final do percurso, na direcção Areinho - Espiunca). Estavam a abarrotar de pessoas, como todo o percurso. Para mim, e correndo o risco de ser injusta, acho muito mais bonitas as praias que estão perto de mim. Não conseguem competir com a beleza das praias de Coja ou da zona de Góis.

O que na verdade eu achei impressionante, durante todo o percurso, foi a quantidade de pessoas que estavam nos Passadiços. Eram centenas e centenas de pessoas, de todas as idades e compleições físicas, bem preparadas e mal preparadas. Os passadiços estavam sempre a tremer, devido à constante passagem de humanos e alguns cães, ao ponto de não se conseguir tirar grandes fotos (ficaram muitas tremidas). E é espantoso a inconsciência de se ir para um sítio daqueles, sem preparação, no calor, muitos sem água, muitos sem sapatilhas, muitos que não irão se meter noutra destas tão depressa. Havia pessoas a bufar, muitas crianças pequenas, uma senhora sentada ao sol (a meio do caminho, onde não havia sombra largas dezenas de metros, antes e depois) quebrada pelo esforço, cães com a língua de fora e cheios de sede (coitadinhos) e muitos com a sensação que tinham sido enganados por tanta publicidade e "maravilhas" que tinham sido ditas.

Para conclusão:

- Aquela zona geográfica atravessada pelos Passadiços do Paiva é um território com um Património Geológico impressionante. Mas para se apreciar verdadeiramente estas maravilhas, o percurso deveria ser acompanhado de guia e/ou placas com explicações sobre os geosítios. Senão, não sabemos para onde olhar e parece "só" um monte de pedras.
- Aparentemente existem, naquele local, algumas espécies protegidas por lei (tais como a Libélula Esmeralda e os Gonfos de Graslin). Na verdade, a única fauna que vi foram as pessoas e os pobres cães. Com tanta afluência humana, de milhares de pessoas por semana, quais serão as consequências a curto e médio prazo para os ecossistemas da zona? É uma preocupação real. Leiam aqui algumas preocupações do grupo SOS Rio Paiva, em relação aos Passadiços do Paiva e suas consequências.
- Eu até entendo que toda a gente do país, queira visitar esta "maravilha" de Portugal, mas para verdadeiramente se apreciar a beleza do Paiva e as suas singularidades, o percurso deveria ser fechado (continuando gratuito), com restrição para o número de pessoas que fazem o percurso de cada vez. Senão torna-se impossível a verdadeira comunhão com a Natureza e a apreciação do património geológico.
- E se quiserem visitar aquilo que toda a gente fala, vão em grupo, levem muita água, protetor solar e chapéu (se estiver sol), lanche e preparem-se fisicamente.

Bons passeios :)

21 comentários:

Andreia Morais disse...

No domingo andei lá parte, mas não fui com o objetivo de ir aos Passadiços. Tenho mesmo curiosidade em fazê-lo e hei-de lá ir com esse propósito, mas, lá está, primeiro requer preparação.

Beijinhos*

Lete disse...

Catarina, adorei a tua reportagem. Muito bem explicada e assertiva! Eu detesto grandes publicidades e lugares demasiado concorridos, por isso jamais o faria nesta altura (do verão). Ainda assim parece-me uma excelente ideia visitar esse sítio com um guia, pois a mim interessava-me, acima de tudo, a formação dos rochedos, a população autóctone (animais e plantas) e a paisagem em si. Terei de esperar por essa oportunidade, caso contrário documentar-me-ei com eventuais testemunhos similares ao teu. Obrigada pelo esclarecimento, linda!
Beijinho grande!

Catarina disse...

Não me parece um percurso próprio para a maioria das pessoas. Milhares de degraus, sem sombras?! Hmmm muito penoso e, suponho, nada agradável. Quando lá em cima, talvez a paisagem seja linda.

Elisabete disse...

Não conhecia, mas não sei se era capaz.
As fotos são lindas.
Bjs

O meu pensamento viaja disse...

Catarina, eu publiquei -

http://omeupensamentoviaja.blogspot.pt/search/label/Passadi%C3%A7o%20do%20rio%20Paiva

A minha incursão aos passadiços, mas, não fiz todo o percurso devido à invasão alucinante de caminhantes. Gostei muito e pretendo voltar, seguindo o teu conselho - menos gente e menos calor.
Vale imenso a pena!
Beijinhos

Olinda Melo disse...


É, na verdade, um espectáculo aquelas formações rochosas.O passadiço é uma obra engenhosa que, daqui, me parece frágil tendo em conta o número de pessoas que o atravessa, como bem refere.Excelente reportagem.
Bj
Olinda

Andreia Morais disse...

r: Muito, muito obrigada *.*
Bom domingo*

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Como gosto de fazer caminhadas um dia destes tenho que fazer este percurso do passadiço do Paiva.
Um abraço e bom Domingo.

Sandra Oliveira disse...

Já falei com algumas pessoas que foram fazer caminhadas nos passadiços e gostaram, eu ainda não tive oportunidade :)
Mas acho que a Catarina tem muita razão no que diz :) a Natureza devia ser protegida!

obrigado pela informação, e acho que vou esperar mais um pouco para ir visitar os passadiços... pode ser que entretanto façam melhorias ;)

Beijinhos

Gracita disse...

Olá Catarina
Os seus receios quanto à preservação ambiental é notório e se o local objetiva à visita seria mais prazeroso se houvesse um guia. No mais uma fantástica reportagem minha amiga
Beijos e uma boa semana

Bella disse...

Olá

Não conhecia nem nunca ouvi falar.
Normalmente quando abrem os encantos da Natureza ao turismo, o encanto perde-se.

bjs

Crocheteando...momentos! disse...

Amiga...começo por lhe dizer que não sei nome de flores...apenas por considerar desnecessário de modo que aquela aranha em tons rosa estaria num belo exemplar e quando sou ber o nome...eu digo!!!
Este enorme passadiço é um sério convite a um passeio...mas não sei se as minhas pernas aguentarão!!!
Gostei da caminhada!!! Bj

Kaka Stelê disse...

Oi Catarina, muito obrigada pela visita em meu blog fiquei muito feliz em te ver por lá volte sempre que quiser és bem vinda!
Amei tudo por aqui, gosto de informação e aqui tem bastante, parabéns!
Sobre o post muito legal, uma aventura, belas fotos.

Beijão

carla capricho disse...

Não conheço mas pareceu-me interessante de descobrir , as fotos mostram uma grande aventura :)

Ex Não Vaidosa disse...

Saudações Catarina! Heheheh adorei a expressão "pariu um rato" gostei das fotos e pude, por um momento, viajar em sua descrição! Adoooooro conhecer lugares assim! Beijos e abraços!

Carla disse...

Olá Catarina!
Obrigada pelas visitas e comentários no meu blog...que mais parece um blog "assombrado".
Gostei muito desta reportagem sobre os passadiços do Paiva, que entretanto parece que uma parte ardeu com um incêndio florestal... :(

Fiquei intrigada com os gémeos, porque também sou mãe de gémeas. Que idade têm? São verdadeiros?

Um beijinho,
Carla

Casa de nós dois disse...

Oi Catarina!! passando pra retribuir sua visita, amei seus blogs muito bom, voltarei outras vezes. Bjuss

Horticasa hoticasa disse...

Pois para mim, escadas não obrigada, ainda por cima escadas em alturas...
Agora como se não bastasse tudo isso, deitaram fogo àquilo, é uma pena!!
beijinho

CÉU disse...

Até já estou cansada, farta, e nem sequer ouvi falar de semelhante "paraíso", imagina percorrê-lo!

Olá, Catarina!

Isso é k foi, hein? Não sou nada dada a estas coisas, nada, portanto, não sinto a menor curiosidade em visitar zonas semelhantes. 8 Km de passeio? Naqueles estrados, ou sei lá o k é, de madeira?

Qdo fui a Vina do Castelo , o pessoal k me acompanhava quis ir ver, e mais uma vez, o Miradouro de Sta. Luzia, que eu não conhecia, nem conheço. Ora bem, eu não fui, pke me recusei a subir e depois descer não sei qtos degraus, e fiquei sentada num banquinho de pedra a falar com uma vendedeira de doces regionais. Foi excelente, pke descansei eaté comprei um bolinho.

A tua publicação está mto completa, alertando para os problemas k podem resultar de tamanha aventura. Estive a ver as fotos, até em grande, mas não lhes encontrei grande beleza.

Agradeço visita e comentário no meu blogue.

Beijos e boa semana.

Ex Não Vaidosa disse...

Saudações Catarina! Viajando mais uma vez em sua postagem! Beijos e abraços!

M L Maia (MALEMA) disse...

Belo texto e tão bem ilustrado.
Que pena parte deste passadiço ter ardido ainda em Setembro!
Bjinhos.