quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Alfazema aos Molhos!

A Alfazema, também chamada de lavanda ou lavândula, cresce um pouco por todo o lado, em Portugal. Aqui nesta zona é habitual vê-la nos jardins e hortas e o Verão é a altura da sua floração.


Quando plantada na horta, vai atrair insectos polinizadores e afastar roedores, tais como ratos e ratazanas. Está no topo da lista de plantas a colocar na minha horta (detesto ratos!).

E não é só na horta que a Alfazema afasta "bichos": pode (e deve) ser usada em casa, pois é muito eficaz para afastar naturalmente traças da roupa e, além disso, ainda perfuma as gavetas e armários.

Mas as propriedades da Alfazema não ficam por aqui: o seu óleo essencial é usado como anti-séptico, tónico, anti-espasmódico e regenerador da pele. É também usada no tratamento de ansiedade, insónias, falta de apetite, agitação, angústia e outras enfermidades do género. Tanto é usado o seu óleo essencial, como partes da planta seca (principalmente em infusão e banhos relaxantes).

Na culinária usam-se as flores secas para aromatizar açúcar, doces, biscoitos, compotas e sobremesas. O mel produzido a partir das flores de Alfazema é considerado um mel de qualidade superior.

Eu gosto de ter um saquinho na gaveta da roupa de cama, pois o seu aroma relaxante transfere-se para os lençóis e fronhas, melhorando a qualidade do meu sono.



No final de Julho apanhei um bom molho de flores de Alfazema. Coloquei a secar e vou fazer "rocas" de Alfazema, para perfumar as minhas gavetas. 


Para colocar a secar basta separar as hastes em pequenos molhos, atar com fio ou fita e colocar virado para baixo uns dias. Como o seu aroma tem propriedades relaxantes e calmantes, decidi colocar os ramos a secar no quarto, mesmo acima da cabeceira da cama.

Agora que já as hastes já secaram um pouco, é tempo de fazer as "rocas" cheirosas, relaxantes e insecticidas. Fiz um passo-a-passo com fotografias, para explicar mais facilmente o processo.


Limpar várias hastes da planta das flores e ramos em excesso e juntar num raminho. Atar com fio, fita ou ráfia, 1 ou 2cm abaixo das flores. 

Virar as hastes para cima das flores de forma a fazer uma espécie de gaiola.



Voltar a atar em baixo. 



Fazer novo processo de "engaiolamento" das flores. 


Se alguma haste se partir, usar o fio para segurá-la na forma.

Atar novamente, em cima e em baixo e cortar as pontas das hastes.
E já está! É fácil, não é? 

Aproveito ainda as flores que sobraram do desbaste das hastes usadas nas rocas e coloco-as em sacos de tecido.


Deixo-vos ainda outras sugestões interessantes de como utilizar Alfazema (é só clicar nos links abaixo):

- Açúcar de Alfazema


- Hidratante Natural de Alfazema

Boa quinta-feira e bons sonhos :)


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A Horta de Agosto (2016)

O Verão tardou, mas agora que chegou, veio com o calor em força. Veio até com força demais, pois parece que o passado mês de Julho foi o segundo mais quente que há registo, desde 1931!

E com isto a horta ressente-se: temos que regar mais vezes e há culturas que não desenvolvem o esperado. Os pepinos, apesar de terem começado bem, agora praticamente desapareceram e os pimentos continuam muito enfezados.

Mas nem tudo é mau, muito pelo contrário! A época oficial do tomate já começou para estes lados e dia sim, dia não, tenho colhido dos ditos. Apanho-os ainda não totalmente maduros e como são dos "verdadeiros", não noto acidez no sabor. 


Eu só gosto mesmo do sabor do tomate nesta época, que é a altura dele. E têm que ser tomates "da horta", para terem aquele sabor característico, às vezes até levemente adocicado (como o do tomate coração maduro). Decididamente tomates do supermercado não são para mim :)


O feijão verde, esse continua a dar. Já vem com menos força e as vagens são mais curtinhas, mas todos os dias apanho um punhado delas. E não é que alguns feijoeiros ainda estão a dar flor? A continuar assim vamos ter feijão verde até Setembro, haja água para a rega.


O feijão seco está quase no ponto para ser todos apanhado. Até já fui apanhando algum que foi secando mais cedo. Agora é só descascar e guardar num local fresco e seco.
O meu truque para que não apanhe "bicho" (como se diz por aqui) e que se conserve durante mais tempo, é colocar o feijão seco já descascado dentro de um saco, levar ao congelador uns dias e depois tirar e acondicionar como de costume. Dizem os entendidos que mata o bicho do feijão.
E eu confirmo, acaba-se o feijão esburacado.

As courgetes (abobrinhas) floriram bastante, mas deram pouco até agora. Resolvi insistir e aumentar a rega e deu resultado. A courgete da foto abaixo já está no frigorífico, à espera de uma receita diferente, daqui.  


Aumentei também a rega das melancias e dos melões. Mas se nas melancias se nota a diferença, nos melões nem por isso. Para já só estão a dar folhas e umas florinhas que ainda não deram frutos :(

A salsa agora é que está em força e eu que adoro, agradeço à mãe Natureza :) Confiram aqui os benefícios desta bela erva aromática.

Os coentros já espigaram todos e até já apanhei e guardei a semente, tanto para usar na próxima sementeira, como para usar na cozinha, nalguns pratos com sabores mais asiáticos.

As beterrabas também já estão com um tamanho mais razoável e já usei algumas na sopa. 
Eu gosto de comer sopa todo o ano, não dispenso mesmo no tempo quente. Não troco sopa por salada de alface, pois é uma forma maravilhosa de ingerir os nutrientes necessários a uma vida saudável, de uma vez só. Às vezes até ponho alface na sopa, antes de a passar. Assim como na mesma a alface e os restantes legumes. Fica uma sopa-salada :)
E vocês, preferem sopa ou salada?

Boa quarta-feira!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

7 Dicas Para Que Roupa Dure Mais Tempo - Parte 1

Como devem imaginar, eu não compro muita roupa. 
Tenho uma espécie de armário-cápsula para cada estação e normalmente só compro algo quando preciso. 
Por exemplo, agora ando à procura de um vestido de Verão versátil. Neste momento só tenho um e não dá para todas as ocasiões. Com esta aquisição irei substituir uma saia comprida que já tinha há quase 20 anos (lembro-me de a ter usado quando andava a tirar o curso na Guarda!...) e que se começou a rasgar na última sexta-feira. Gostava muito da saia comprida, mas por uma questão de versatilidade irei apostar agora num vestido.

Sim, na minha mão, geralmente as peças de roupa (e também calçado) duram bastantes anos. E não é guardadas no armário, eu uso a roupa :) 

Caso se estejam a perguntar se tenho algum poder mágico ou se fiz alguma magia de conservação nas peças, lamento desiludir-vos mas não. Que eu saiba não há nenhuma fórmula mágica que impeça a roupa de ficar com aquele aspecto velho, descolorida, coçada e com borbotos.

Mas há alguns truques e cuidados que se podem ter, que atrasam o inevitável e que fazem com que se conserve o aspecto novo da roupa, durante mais tempo.
Irei partilhar com vocês o que costumo fazer para que a minha roupa dure mais, com melhor aspecto. 

Para ajudar à explicação de como e porquê destas dicas darem resultado, pesquisei em vários sites e fontes. Por uma questão de simplificação, resumi a lista às 7 dicas que eu acho mais importantes e fiz uma lista resumida (última imagem) para ser mais fácil memorizar e partilhar. 
Para não ser tão maçador, focarei hoje as três primeiras dicas e numa próxima vez terminarei a explicação das restantes quatro.

(imagem adaptada de uma foto daqui)

1. APOSTE EM TECIDOS DE QUALIDADE:

Vamos começar pelo início. Os tecidos de qualidade duram mais, é lógico. 
Mas na hora da compra, quem é que olha para a etiqueta para ver de que tecido é feito a peça de roupa que estamos a escolher? Eu vejo, porque não quero desperdiçar dinheiro numa peça que depois de 3 lavagens fica com um aspecto horroroso. 
Existem 3 tipos de fibras: as naturais (lã, algodão, seda e linho), as sintéticas (poliéster, acrílico) e as artificiais (viscose, acetato, modal). As fibras que têm maior durabilidade são as naturais e logo a seguir as artificiais. Aconselho a fugir das peças de composição sintética, pois desgastam mais facilmente e agarram mau cheiro mais rapidamente.
Para melhor compreender os diferentes tipos de tecido e as suas características aconselho a leitura deste artigo da Ana, pois é um guia bastante completo e bem explicativo de em quais tecidos se deve apostar e porquê.

2.  LEIA E SIGA AS INSTRUÇÕES DE LAVAGEM:

Parece que estou a apontar para o óbvio, mas na verdade quem é que lê as instruções de lavagem de TODAS as peças de roupa, antes de as meter na máquina? E quantas vezes é que é que cortamos as etiquetas porque são grandes demais ou porque nos fazem comichão? Pois.
Para melhor gerir as diferentes necessidades de lavagem e evitar confusões futuras quando cortam as etiquetas, proponho que criem um quadro ou tabela (pode ser escrito à mão) e que o coloquem na zona onde lavam a roupa ou no armário onde a guardam. Tem-se esse trabalho inicial, mas depois poupa-se tempo e, mais importante, "desastres" com a roupa. 
Se não acharem necessário estar a tomar nota das instruções de lavagem de todas as peças de roupa que têm, façam como eu: na minha tabela só anotei as instruções daquelas peças que têm que ter um tratamento mais cuidado (lavagem à mão, temperatura baixa, sem centrifugação...). E resulta!

3. EVITEM AS TEMPERATURAS ALTAS NA LAVAGEM:

Para quem não quer estar a seguir a dica anterior, esta terceira dica acaba por evitar aquelas surpresas indesejáveis de quando se lava uma peça acima da temperatura correcta. 
Não há assim tantos tecidos e cores que aguentem lavagens constantes a alta temperatura, sem se deformar ou perder a cor. Mas a maioria das vezes basta uma lavagem a uma temperatura alta demais, para arruinar uma peça de roupa. 
Lãs, sedas e tecidos sintéticos têm nas altas temperaturas inimigos mortais, pois encolhem, deformam e ganham borbotos (aquelas bolinhas chatas e feias).  
Para evitar isso o melhor é escolher lavar sempre a temperaturas de 40º C ou menos. Para nódoas difíceis ou roupas muito sujas é preferível fazer pré-tratamentos ou outro tipo de lavagens. Noutra altura falarei sobre os tipos de pré-tratamento da roupa que faço, versão ecológica, claro :)
Além disso, reduzir a temperatura na máquina da roupa é mais ecológico. Poupa-se energia e dinheiro na factura da electricidade.



E estas foram as dicas de hoje. Brevemente trarei a explicação das outras quatro.

Boa quinta-feira!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Mirtilos e Gentileza Gera Riqueza

Enquanto os melões e as melancias da horta não chegam, a fruta de eleição deste Verão tem sido o Mirtilo. A pequena e deliciosa baga azul arroxeada, rica em antioxidantes e muitos outros nutrientes*, tem sido a fruta mais consumida nesta última semana, por estes lados.

(Mirtilos do lanche)


Eu conto. Foi na semana passada, que a minha mãe foi ao mercado municipal e me trouxe uma caixinha de mirtilos. Ela sabe que eu gosto e sabe também que faz bem na prevenção das cistites, problema chatérrimo que eu sofro desde bem pequena (falarei melhor sobre isto noutra altura)

Quando recebi a caixa, detectei uma pequena anomalia na embalagem, que em nada implicava na conservação ou frescura das bagas. Mas decidi comunicar à empresa essa anomalia, por uma questão de consciência. E assim fiz. Enviei uma mensagem privada na página de Facebook da empresa, com uma foto da embalagem, a alertar para a situação.

Eles foram muito simpáticos, agradeceram muito o reparo e foram verificar as outras embalagens nos pontos de venda. A minha afinal era a única que tinha aquela situação. Não tinham que me dar essa informação, mas como cliente até gostei de saber o seguimento do processo.

Mas o que aconteceu a seguir é que foi absolutamente surpreendente e inesperado. No final desse dia, já tarde, tinha uma mensagem a dizer que me queriam agradecer a informação, com uma caixa de mirtilos! Tive que ler novamente a mensagem, pois nos dias que correm, onde é que uma empresa faz isto?
Não posso negar, fiquei super-contente e orgulhosa de ter perto de mim uma empresa que reconhece que gentileza gera riqueza e que não se preocupa só com o lucro. Eu, que até já era cliente, fiquei fã. Para além de produtores biológicos, com produtos deliciosos, são simpáticos e gentis. Ainda há esperança no mundo!

Mas não acabou por aqui, pois quando fui buscar a caixa de presente ao mercado municipal, vi que não me tinham deixado uma mas sim DUAS caixas. Fiquei sem palavras. Ainda disse à senhora que tinha guardado a encomenda, que devia haver algum engano, mas ela disse que não. 

(as duas caixas)

Conclusão disto tudo: afinal, sempre compensa fazer boas acções e aqueles mirtilos são definitivamente os melhores do Mundo!

Boa semana!

*Nutrientes do Mirtilo: é rico em vitaminas A, B, C e diversos sais minerais, como cálcio, cobre, ferro, fósforo, magnésio, manganês, potássio, selénio e zinco. A pequena baga tem também pectina e taninos, bem como ácidos málico, cítrico e tartárico e é rica em fibra.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Sugestão de Fim de Semana - Eco Porto e mais

O fim de semana está à porta e hoje trago uma sugestão para quem vive mais para o Norte do país. No próximo domingo dia 19 de Junho, no Jardim Botânico do Porto que irá acontecer o Eco Porto, iniciativa organizada pela Alfaia Officinalis.

O Eco Porto será um evento que promove a ecologia e a sustentabilidade e que irá reunir num só espaço artesãos, formadores, produtores de produtos biológicos, artistas e associações que se enquadrem neste espírito ecológico. Este evento tem como principais objectivos a consciencialização dos temas da ecologia e sustentabilidade ao público em geral, bem como a criação de pontes e ligações entre todos, sem esquecer a diversão, claro. A entrada no espaço é gratuita, embora hajam algumas actividades que são pagas.


Pelo que tenho acompanhado, está-se tudo a compor para ser um evento bem interessante e movimentado. No Eco Porto irão realizar-se várias actividades, de diferentes temáticas. É mesmo à escolha do freguês, ora vejam:
- Técnicas de Impressão com Elementos Naturais;
- Oficina de Chucrute;
- Aula Aberta de Capoeira;
- Performance Teatral "Aceitas?";
- Oficina de produtos de limpeza e cuidado corporal;
- Concertos vários;
- Mercado de Produtos Biológicos;
e muito mais.
Para saberem mais sobre este evento, acompanhem as novidades na página do evento aqui. Ou então, passem no próximo dia 19 de Junho no Jardim Botânico do Porto e vejam o que estará a acontecer por lá :)
*    *    *
 
No domingo seguinte (26 de Junho), em Tondela - Viseu vai haver mais uma edição da Caminhada Ecológica, organizada pelo Centro Municipal de Marcha e Corrida de Tondela.

Será um domingo em cheio, com direito a caminhada, piquenique, testes de saúde gratuitos, dança, hidroginástica e muita diversão. Para quem quiser ir, apesar de ser gratuito, terá que fazer uma inscrição prévia aqui.

Para saber mais sobre esta iniciativa, acompanhe tudo aqui.

 *    *    *

Já eu, neste fim de semana, vou aproveitar para dar um salto à horta e apanhar mais feijão verde (e o que houver mais). Depois das ervilhas, o que está a dar agora na horta é feijão verde, muito, muito. Não me canso de dizer, quando trabalhamos em conjunto com ela, a Natureza consegue ser muito generosa :)
E por isso mesmo, vou aproveitar os frutos dessa generosidade e partilhar com a família. O resto irei congelar,  para ter feijão verde do bom ainda durante mais alguns meses. Mas aceito sugestões, para aproveitar tanto feijão.

E vocês, o que vão fazer no fim de semana?

Bom fim de semana!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A Horta de Junho (2016)

A nossa nova horta já está a dar frutos, ou melhor, legumes. E apesar da erva andar a tentar invadir todo e qualquer pedacinho de terra daquele terreno, mesmo assim ainda conseguimos ir mantendo a horta apresentável.

Da última vez que aqui falei da horta já tínhamos plantado/semeado cebolas, alhos franceses, couves, beterrabas, salsa, hortelã-pimenta, coentros, ervilhas de quebrar, dois tipos de alfaces, alecrim e cravos túnicos.

Depois disso, já plantámos/semeámos mais beterrabas, feijão (3 tipos de feijão verde e também do seco), tomates (chucha e coração), pimentos, courgetes, pepinos, melões e melancias. 

Na verdade o tempo este ano não tem estado nada normal e algumas culturas ressentiram-se com tantas voltas e diferenças de temperatura. A hortelã-pimenta não deu nada e algumas das couves não pegaram. Mas no geral, tudo correu bem e agora é que estamos a começar a colher os resultados do nosso trabalho.


Algumas das cebolas já foram apanhadas, pois com tanta chuva que caiu, as folhas acabaram por apodrecer e se não tirássemos as cebolas da terra, apodreciam também. Algumas ainda eram pequeninas, mas a maioria já estava de um bom tamanho.
Desde há um mês, ou mais, que se apanham alfaces e aproveito sempre para trazer também salsa e coentros, que adoro. Os coentros agora com este calor já estão a começar a espigar e irei aproveitar para recolher as sementes: uma parte irei guardar para semear para a próxima vez e o resto irei guardar para usar na cozinha.


As ervilhas de quebrar começaram tímidas, mas agora estão enormes e todos os dias que se vá à horta que se apanham umas quantas. Já comemos várias vezes e já distribuímos pela família. Começa a ser a altura de congelar, com tantas que temos! 

(alfaces, ervilhas de quebrar, salsa, coentros e alho francês)
Da última vez que fomos à horta trouxemos esta "sacada" de vegetais, já viram a poupança que foi?

Agora, começa o feijão a crescer, já se lá vêem umas pequeninas vagens, os tomateiros e as courgetes também já têm flor. As couves, apesar de tudo o que passaram lá se foram aguentando.

Resta continuar a regar, tirar ervas, fazer uma estrutura  para os tomateiros e colher, colher muito e muita variedade.

E logo à noite para o jantar a sopa vai ter cebola, alho francês e couves da horta (as primeiras), mal posso esperar para provar.

Boa quinta-feira!

- O Ecológica, quem? Eu? já tem página de Facebook. Para verem mais novidades da horta, outras dicas e eventos ecológicos ou só para partilharem energia positiva, sigam o link: https://www.facebook.com/Ecol%C3%B3gica-Quem-Eu-129741427430691/ -

domingo, 22 de maio de 2016

Viver com Pouco ou Viver com o Essencial?

Há umas semanas atrás, rumámos ao Sul para ir passar o fim de semana a casa de uns amigos. Eles vivem para os lados de Almada, por isso foi uma boa oportunidade para passear, visitar outras paragens e, claro, passar tempo com pessoas amigas, que não vemos muitas vezes.

Entre os passeios e as conversas, fomos partilhando as nossas experiências, falando do dia-a-dia, contrapondo a vida deles, na cidade, e a nossa, no campo. 
Eles foram falando das distâncias que tinham que percorrer todos os dias (casa/trabalho/casa), das pontes, do trânsito, do stress das pessoas, dos horários deles e dos miúdos, da falta de tempo...
Nós fomos falando das caminhadas, da horta, da fotografia, dos nossos passeios pelas serras aqui à volta, dos estrangeiros que se estabelecem por aqui para viverem a reforma com qualidade, de auto-sustentabilidade...
Mas a uma dada altura, um dos nossos amigos citadinos disse uma coisa que me ficou a bater no pensamento durante algum tempo. Enquanto estávamos a falar em como deve ser libertador viver o mais auto-sustentavelmente possível, sem stress, produzir a própria comida, sem trânsito, com tempo para tudo, dormir bem, ele lembrou-se de uma questão, importante para ele, e que fez esfriar o tema da conversa: 
"- Isso é tudo muito lindo, mas uma pessoa habitua-se a um certo estilo de vida e depois não consegue viver com pouco!"

Eu confesso que fiquei um pouco chocada, mas como todas as pessoas têm direito à sua opinião, não alonguei o assunto. A verdade é que depois fiquei a matutar naquilo. Eu não trocava a minha vida pela dele, mesmo que, aparentemente, a vida dele seja melhor. Para mim, lidar com stresses é stressante e eu não quero isso. Prefiro ter menos coisas, mas ter tempo para me dedicar às coisas que gosto (como o estar aqui a contar esta história no blogue). Prefiro não ter um carro topo de gama, mas não precisar de passar uma hora no trânsito (para cada lado). Prefiro viver num local onde os ordenados são naturalmente mais baixos, mas poder ter tempo e energia para cultivar a minha horta e assim ter a certeza daquilo que como.
Se há coisas negativas na minha vida? Sim, há. Mas haveria muitas mais, se vivesse uma vida como a deles.

Mas há uma questão importante em relação a tudo isto: o que é realmente o "viver com pouco"?
Como já disse anteriormente, um dos meus sonhos de vida é ser o mais auto-sustentável possível. Ter horta, galinheiro, reutilizar coisas, aproveitar ao máximo o ciclo de vida útil das coisas, reduzir consumos, ir à lenha, fazer pão, construir e produzir coisas com as minhas mãos, e quem sabe até fazer a minha própria cerveja? 
E isso não é "viver com pouco". É viver com fartura! Fartura de saúde, fartura de sabor, fartura de tempo, fartura de diversão e fartura de não-stress. E ainda se poupa dinheiro.

(Um dos passeios desse fim de semana - Cabo Espichel)
Logicamente nem todas as pessoas são talhadas para a vida de campo e nem têm que o ser. O meu sonho é meu e entendo que nem toda a gente esteja para aí virada. Porque, apesar de ser uma vida mais equilibrada e saudável, é necessário algum trabalho e nem todos o conseguem, ou querem.

O que eu penso é que há por aí muita confusão nas cabeças das pessoas. Será talvez só uma questão de semântica, mas a diferença é grande. Porque aquilo de que estávamos a falar na altura, não era de experiências de vida de pessoas que "vivem com pouco". Eram experiências de vida de pessoas que vivem com o Essencial. Que é bastante diferente. 

Quando uma pessoa descobre o que é verdadeiramente importante na sua vida e se despoja do que é acessório, liberta-se de uma forma que não é possível através de outros meios. E torna-se numa pessoa mais feliz. O Minimalismo, por exemplo, é uma forma de libertação. Destralha-se, livramo-nos do que está a mais e fica-se com o Essencial. O Armário-Cápsula é outro exemplo de libertação do desnecessário, focando-nos apenas no Essencial. O Síndrome do Pensamento Acelerado acontece quando nos deixamos de focar no Essencial e ficamos enrolados em milhares de pensamentos desnecessários. Poderia dar muitos mais exemplos, mas acho que já perceberam a ideia.

A verdade é que nos andamos a enganar, ou a ser enganados, com esta história que temos que ter muito para sermos felizes. E isso é uma mentira. Nós, para sermos felizes, temos é que ter o necessário, o Essencial. O que nos vale ter dinheiro para ter dois ou três tablets, se não temos tempo para estar com a nossa família e com os amigos? O que nos vale cem sapatos, se não nos sentimos bem com o nosso trabalho? O que vale trabalhar mais para ganhar mais, se depois vamos gastar esse "mais" em ATL's, pois ficamos sem tempo (e alguns, sem vontade) de estar com os filhos?

Todos nós, a uma certa altura da vida, deveríamos fazer uma análise interna. Olhar bem para dentro de nós e ver o que é realmente importante, essencial para nós. Se isso acontecesse, viveríamos todos num Mundo melhor.

Conseguem viver com o Essencial, ou ainda precisam de muito para serem verdadeiramente felizes?

Boa semana!