domingo, 22 de janeiro de 2017

Toda a Acção Tem uma Reacção

Toda a acção tem uma reacção;
Cá se fazem, cá se pagam;
Quem semeia ventos, colhe tempestades;
Gentileza gera gentileza;
Tudo o que vai, volta*;

Estas são algumas expressões que, mesmo não parecendo, transmitem todas a mesma ideia. A ideia de que tudo o que acontece tem uma consequência, boa ou má, consoante a acção que se tomou. Se repararem bem, existem várias frases populares, aparentemente diferentes, que nos "avisam" que, tudo o que fazemos, mesmo o que fazemos sem pensar, pode ter uma reacção, positiva ou negativa.

A maioria das vezes essa consequência não é imediata e talvez seja por isso que nós, humanos, vamos ignorando repetidamente o princípio que nos é insinuado pela 3ª Lei de Newton: Toda a Acção Tem uma Reacção. Esta lei científica é aplicada a corpos e a forças, mas na verdade podemos transpôr o que Newton diz, para uma ideia mais global. Essa ideia é que tudo o que fazemos, as atitudes que tomamos e as nossas decisões, tudo isso influencia o que se passa, ou irá passar à nossa volta.

(Pêndulo de Newton - imagem daqui)
Eu não pretendo, não quero e sempre tentarei não ser fatalista. Mas cada vez mais e mais as consequências dos nossos actos, como espécie, estão à frente dos nossos olhos.

E não são agradáveis.
 
Cada vez que consumimos em excesso, que compramos o que não precisamos, que fazemos lixo, que andamos de carro sem necessidade, que comemos comida processada, ou comida cheia de gordura e açúcares, que não dormimos o suficiente, que não praticamos exercício físico (nem que seja uma caminhada à volta do quarteirão...), que não reutilizamos objectos, etc, estamos a provocar uma reacção negativa, seja para o planeta, clima ou a nossa saúde.

E é tão fácil cair nesse erro.

Por exemplo, vamos a um centro comercial (shopping) dar uma volta e compramos uma peça de roupa feita do outro lado do mundo, seja China, Bangladesh, Taiwan. 
Usamos 2 ou 3 vezes essa peça. Pomos de lado ou logo no lixo porque deixou de estar "na moda", porque se estragou ou porque afinal não gostamos assim tanto dela. Parece mínimo.
Agora multipliquem este exemplo por centenas, milhares, milhões de vezes. Já não é tão mínimo assim.

E entretanto já foram gastas matérias-primas, usada energia/combustíveis para confeccionar as peças, para trazê-las do outro lado do globo para cá, foram embaladas e tudo isto para satisfazer um desejo de... quê? Que durou quanto tempo? 

Por vezes tentamos remediar as coisas e quando já temos o armário tão cheio, damos uma de viciadas em organização ou de minimalistas e destralhamos tudo até mais não. Pomos tudo em cima da cama e fazemos montes. E desses montes escolhemos ficar com um, que são as coisas que realmente gostamos, nos favorecem ou necessitamos. O resto para onde vai? Manda a lei do "destralhamento" e do "desperdício zero" que se deve doar ou reciclar, mas quantas vezes é que isto acontece, na verdade?
Depois de todo este trabalho, sentimo-nos melhor, mais leves, mais livres. 

Mas a primeira acção já está tomada. Já se consumiu em excesso, desnecessariamente. Já consequências. Pode já não estar na nossa casa mas está algures por aí, onde não devia.

Longe da vista, longe do coração?

É lógico que haverá sempre aquela parte do cérebro que justifica compras injustificáveis, com o "eu mereço ser uma princesa", "se eu comprar e usar isto os outros vão achar-me superior", "aquilo dá.me status" ou "se os outros têm porque é que eu não posso ter?" e outras palermices do género. É para isso que o Marketing e a Publicidade trabalham, é a sua função: de colocar à nossa frente produtos que não necessitamos, e que muitas vezes nos fazem mal, e convencer-nos a comprá-los. Ok, tudo bem, estão a fazer o seu trabalho. 

Mas existe uma coisa chamada de livre arbítrio, que todos nós temos, que é a hipótese de escolhermos comprar ou não, comer ou não, ir na cantiga ou não. Não é nenhum superpoder de alguns escolhidos. Todos temos o poder de escolha. 
Porque depois temos que levar com as consequências, sejam boas ou más. 
E nisso já não temos hipótese de escolha, porque a consequência, a reacção, a paga, ela vem.

Cada vez mais tem que haver uma racionalização das nossas necessidades e um consumo proporcional às mesmas. E depois deste consumo, tem que haver uma eliminação correcta dos resíduos e, se necessário, uma compensação da Natureza pelo que foi usado, destruído ou corrompido.
É fácil constatar que a Natureza tende sempre para o equilíbrio. Quando um dos lados da balança está mais para cima ou para baixo, ela vem e equilibra. E normalmente é à bruta.

Por tudo isto, não nos podemos (devemos) esquecer que, cada um de nós, apesar de ser um Individual, tem a sua importância e a sua força no Global. E cada um de nós é importante. Todas as nossas acções contam, para o bem ou para o mal, mesmo as que achamos que são insignificantes.

Boa semana!

* What goes around, comes around - usado comummente na lei do Karma.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Há Empreendedores Por Aí?

O ano está mesmo a iniciar e é uma boa altura para arriscar em projectos novos.

A Acredita Portugal é uma organização sem fins lucrativos cujo principal objectivo é o desenvolvimento e promoção do empreendedorismo em Portugal, tanto através da formação como de concursos de empreendedorismo. 

E é sobre isto que vos quero falar hoje. A Acredita Portugal e o Montepio associaram-se e criaram este Concurso de Empreendedorismo - O Concurso Montepio Acredita Portugal - que tem como objectivo premiar os melhores projectos e ajudar todos os portugueses interessados a desenvolver as suas ideias empreendedoras.

Se tiverem alguma ideia de negócio, mas não saibam como a colocar em prática ou se já começaram a pôr em prática essa ideia, mas gostariam de ter a opinião e apoio de especialistas para avançar mais, este é o concurso de empreendedorismo certo para vocês. 


A inscrição é muito simples, gratuita e não há qualquer pré-requisito para a fazer. Qualquer pessoa, independentemente da sua formação e idade, desde que tenha uma ideia de negócio, pode-se inscrever. Apenas se tem que aceder aqui e fazer a inscrição.

Apressem-se empreendedores, arrisquem e inscrevam-se :) 

O prazo está quase a terminar! Inscrevam-se até 15 de Janeiro e quem sabe se não é agora que a vossa vida muda?

Para mais informações sobre o concurso: http://www.acreditaportugal.pt/informacoes/

Esta publicação é uma colaboração entre o "Ecológica, quem? Eu?" e "Acredita Portugal"

sábado, 7 de janeiro de 2017

Bem-Vindo 2017 e os Livros do Ano

Terminou mais um ano e outro já começou.
Muitas coisas importantes aconteceram e outras nem por isso.
Mudámos a horta de local e já há planos para torná-la cada vez mais sustentável, biológica e em perfeita comunhão com as leis da Natureza. E isto, neste momento, desempenha um papel muito importante no meu caminho.
Foi também o ano em que as alterações climáticas se fizeram sentir verdadeiramente. Eu senti-as! Estações trocadas, Verão imensamente quente, Primavera e Outono praticamente inexistentes e a sensação que as pessoas ainda não se aperceberam do real perigo que tudo isto traz, para a vida dos humanos como a conhecemos.
Consegui consolidar o meu armário e agora já tenho a base para durante muito tempo não me preocupar com ele.
Cada vez mais sei como quero (ou devo) viver a minha vida e foi no ano de 2016, com todas as experiências que tive, as boas e as menos boas, que me levaram a esse caminho.
E muito mais.

Uma das decisões que tomei no ano anterior (e que é para continuar) é de ler os livros que já tenho, alguns até há bastante tempo, e que por alguma razão ainda não li. Da lista de 2016, apenas o último é novo, (embora não seja meu). Todos os outros já habitam as bibliotecas pessoais da família (minha e dele, dos meus pais e dos meus sogros) há algum tempo.
A razão principal desta decisão foi porque cheguei à conclusão que já tinha à minha disposição muitos, tantos, bastantes livros, de vários géneros e autores diferentes. Porquê gastar mais dinheiro e acumular mais, se ainda tenho tanta página que folhear, tanto livro para ler, tanta folha para marcar?

Uma vida mais simples também passa por isto, por tomar este tipo de decisões. 
Sim, eu posso comprar um livro onde o autor ou a autora me conta como simplificou a sua vida e tirar ideias para aplicar ao meu dia-a-dia. Claro que sim.
Mas também posso ir buscar um livro à estante dos meus sogros, que está a apanhar pó há anos (acho que até fui a primeira pessoa a lê-lo...), vencedor de um Pulitzer e que me surpreendeu de uma forma tão maravilhosa, que me inspirou ainda mais a ser uma pessoa melhor.
O livro é "Não Matem a Cotovia" e se não tivesse tomado a decisão de ler os livros mais antigos, este possivelmente seria um daqueles que não compraria. E era eu que perderia, oh se perderia.

Alguns dos livros que li em 2016
Esta é a lista de livros que li em 2016:

Agatha Christie: "Poirot Investiga"
                           "As 4 Potências do Mal"
Harper Lee - "Não Matem a Cotovia"
Júlio Dinis - "Uma Família Inglesa"
Sarah Beirão - "Surpresa Bendita"
Érico Veríssimo - "Ana Terra"
Irving Wallace - "A Vigésima Sétima Mulher"
Liev Tolstói - "A Manhã de um Senhor (contos)"
John Le Carré - "O Fiel Jardineiro"
Alves Redol - "Avieiros"
Eça de Queirós - "A Cidade e as Serras"
Núria Masot - "A Sombra do Templário"
Mark Williams e Danny Penman - "Mindfulness"

Há livros que é preciso estar na altura certa da vida para os ler. Seja pela linguagem, pela história ou ensinamentos, há livros que é preciso ter tido certas experiências ou lido outros, para serem compreendidos e até gostados. Foi o que me aconteceu no livro do Eça, "A Cidade e as Serras". Já tinha iniciado a sua leitura na adolescência, mas avancei pouco e logo o pus de parte. Agora, consegui compreendê-lo melhor e não me aborreci tanto com as intermináveis descrições do autor.

E vice-versa: tenho livros que já li há algum tempo, que na altura adorei, e que agora, por alguma razão, ao relê-los não me causam o mesmo sentimento. Este ano aconteceu-me isso com "Avieiros" do mestre do neo-realismo português, Alves Redol. Quando o li a primeira vez, fascinou-me a sua crueza e admirei-me com dureza das vidas retratadas. Era uma jovem adulta e a vida corria-me sem sobressaltos. Mas agora desesperou-me e sofri muito com as suas personagens, apesar de ser um excelente livro.


Este também foi o ano em que fiz o curso de 8 semanas de Atenção Plena, guiada pelo livro de Mark Williams e Danny Penman - "Mindfulness". 
Já há bastante tempo que andava à procura de informações sobre Mindfulness/Atenção Plena, principalmente como poderia aplicar à minha vida e assim viver a vida de uma forma plena, mais verdadeira e com menos (muito menos) stress e ansiedade.
Encontrei a resposta à minha procura neste livro, que aconselho a todos. E não sou só eu que aconselho, pois é aconselhado pelo Sistema Nacional de Saúde Britânico como tratamento eficaz da ansiedade e depressão, sem medicação.
Mas sobre isto falarei noutra altura :)

Agora, uma nova lista já se está a formar, tendo à cabeça um livro de Paul Auster.

Que 2017 traga muitos sucessos, muita saúde, muita compaixão pela Natureza e pelos Homens, muito conhecimento, amizades e felicidade.

Bom Ano!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Dicas para Ter uma Horta Biológica

Este blogue foi criado há pouco mais de 6 anos (já?!) e posso dizer que, graças à sua existência, já aprendi muito, já conheci (virtualmente) tanta gente boa e interessante, visitei locais diferentes, fiz coisas que no início não iria imaginar que faria.
A horta é uma delas. 

Quando comecei o "Ecológica, quem? Eu?", vivia numa cidade e já vivia em cidades há praticamente 20 anos - desde que saí da vila onde nasci, para ir estudar fora, na altura do Secundário. Desde aí, em todas as cidades por onde passei, vivi sempre em apartamentos. Pelas razões óbvias, não cultivava praticamente nada. Apenas no último local onde vivi, consegui cultivar algumas ervas aromáticas, na varanda.

Mas a vida dá muitas voltas e lá vim parar novamente à vila onde nasci. Ao local onde moram os meus familiares e os dele, e onde temos terrenos de cultivo, a maioria deles desaproveitados.
Com o blogue a minha veia ecológica aumentou, bem como a minha consciência ambiental e preocupações de consumo e saúde. E uma vez que temos terrenos e algum tempo livre à disposição, começar a fazer uma horta nossa, sem químicos, totalmente biológica, era uma actividade que tinha toda a lógica iniciar.
(Limão em primeiro plano e lá ao fundo o nosso compostor caseiro)
Começámos aos poucos, perguntando aos familiares e vizinhos, pesquisando na internet e experimentando por nós. Com o tempo, chegámos à conclusão que a maioria das pessoas que conhecíamos não praticava o tipo de cultivo que nós queríamos praticar, pois usam químicos para tudo e mais alguma coisa (adubos, insecticidas, remédios...).
Nós não.
Mas com a nossa perseverança lá conseguimos ter resultados razoáveis. Investigação daqui, experimentação dali, contactos e perguntas através de blogues e páginas, aos poucos vamos aumentando e consolidando o nosso conhecimento em bioagricultura (será que este termo existe?).

E é bom poder partilhar este conhecimento com quem quiser ter também uma horta mais biológica :)
Como o último post da horta trouxe algumas questões da vossa parte, resolvi responder a todas duma só vez e partilhar informação com todos.

O Prego e o Limoeiro - questão da Sofia (via facebook):

Já tínhamos plantado o limoeiro há 3 anos e limões nada. Dava flores e mais flores. Às vezes ainda se formavam limões pequeninos, mas depois caíam sempre. Não tínhamos ainda conseguido apanhar nenhum limão.
Foi nesta caminhada, que, em conversa com o pessoal, nos deram o conselho de "castigarmos o limoeiro", ou seja, pregarmos um prego (que enferruje) na base do tronco ou atar com bastante força um arame grosso (de metal que enferruje) à volta do tronco.


E assim o fizemos. Pregámos um prego no limoeiro e outro na clementineira (que foi plantada no mesmo dia e ainda não deu nada - nem flores, sequer).
Foi remédio santo! Nunca mais o limoeiro deixou cair os seus limões.
Segundo a minha pesquisa,  há pelo menos duas explicações para este fenómeno dar resultado:
1º A árvore ao ser "castigada" pode assumir que está a ser atacada e assim apressa-se a dar frutos para prolongar a espécie;
2º A árvore, ao não dar frutos, é porque não está a conseguir assimilar ferro e, ao espetar-se o prego, vai-se conseguir "alimentar" deste nutriente, logo dar frutos.
Não sei qual é a explicação correcta, ou se estão as duas. O que sei é que já apanhei um limão e estou em vias de apanhar mais uns quantos.

(Quatro limões! - imagem da semana passada)
A clementineira, essa, ainda está preguiçosa, mas parece-me que está para começar a florir :) Pelo menos já se vêem uns borbotos minúsculos na ponta dos ramos. Teremos que esperar para ver.

Engordar alho-francês (também chamado de alho-porro ou poró br.) - questão da Carla (via comentários do blogue)

Já plantei alho-francês nas duas hortas, tanto na do quintal e como na que estamos a cultivar agora. Fazendo a comparação entre o resultado das duas hortas, posso dizer que nesta horta tivemos melhores espécimes.
Na horta do quintal a terra é mais argilosa, logo mais dura, e os alhos-franceses gostam de terras fofas, com poucas pedras, para poderem crescer mais e terem uma parte branca maior.

(Alho-francês do Verão Passado - gordo mas não comprido)
Mas o truque para os alhos-franceses ficarem maiores e terem aquela parte branca do caule mais gorda, é ir cobrindo com mais terra as plantas, à medida que elas crescem. Ou seja, quando os alhos começarem a crescer, vai-se acrescentando terra, repetindo o processo à medida que as plantas crescem (não convém passar de um palmo, no total do processo). Assim, o caule vai alongando e engordando.
Nota: Tem que se ter cuidado para não cobrir as folhas com terra, apenas o caule.

Dicas para cultivar alhos - questão da Nat. (via comentários do blogue)

Não me posso queixar das vezes que semeámos alhos, pois deram sempre. Cada dente posto na terra virou uma cabeça, não ouve nenhuma perda, que me lembre.

Segundo o senhor que nos vendeu os primeiros alhos de semente (comprámos numa feira semanal), eles gostam de terra ruim, para poderem "lutar" com ela. Em pesquisa na internet li sempre o contrário, que gostam de terras ricas em nutrientes e fofas. Semeámos sempre na horta do quintal, de terra argilosa e já desgastada em termos de nutrientes. A verdade é que as cabeças não ficaram enormes, mas ficaram de tamanho razoável e bem saborosos.

Uma coisa que é bastante importante na altura de semear é a posição em que se coloca o dente de alho na terra: deve-se pôr sempre com o "bico" virado para cima. Isto pode determinar se o alho se desenvolve ou não.
Os alhos (bem como o cebolo) gostam de cinza, por isso, ao semear e depois, sempre que possível, polvilhar a terra com a mesma. É ideal para quem tiver lareiras ou fogões a lenha, pode assim livrar-se da mesma e as culturas agradecem.

No final do tempo de gestação da planta, por aqui tem-se o hábito de atar as folhas num nó cego. Dizem os mais velhos que ajuda a criar um bolbo maior, pois como não podem crescer para cima, crescem em baixo. Atenção que não confirmo a veracidade desta última dica. Da primeira vez a minha sogra fez isso, mas da segunda não deixámos ninguém mexer nos alhos e a verdade é que as cabeças dos dois anos ficaram mais ou menos do mesmo tamanho.
Mas nada como experimentarem, para ver se dá resultado com os vossos.

Espero ter conseguido esclarecer as dúvidas, fico muito contente por poder partilhar os conhecimentos que vou adquirindo. Este blogue não é só meu, é também de todos o que o visitam. E como este tipo de conhecimentos nem sempre é muito divulgado, espero que fiquem à vontade, tanto para colocar questões como para partilhar comigo informações e dicas.

Boa semana e boas culturas!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A Horta de Novembro (2016)

Depois de um início de Outono anormalmente quente, finalmente veio alguma chuva para regar as hortas. E falando em hortas, a nossa já começa a estar encaminhada.

No final do Verão preparámos uma compostagem "express", com estrume de galinha, folhas secas, alguma erva cortada e borras de café. Passadas algumas semanas já estava pronta a usar e é este fertilizante natural que estamos a usar agora na horta. 
Como podem ver na foto abaixo, o composto já está com o aspecto de terra, só que com mais alguns nutrientes.



Começámos pela plantação do cebolo: novamente sem regos, tal como da última vez. Primeiro preparou-se a terra, usando o composto como fertilizante e no final da plantação, espalhou-se cinza. Plantámos o cebolo no local onde tinham estado as couves, para ser feita a rotação das culturas.


Como o cebolo é uma cultura que é bom precedente para a maioria das outras culturas, plantámos as couves onde esteve o cebolo. Fez-se o mesmo processo: composto, plantação das mudas sem regos e cinza.
Desta vez pusemos menos tipos de couves (apenas brócolos, penca, portuguesa, repolho) e mais espaçadas, para depois, à medida que formos cortando as primeiras, plantarmos outras mais tarde. Assim vamos tendo até ao final da Primavera, espero.


Na semana seguinte, foi a vez das beterrabas e do alho-francês. Plantámos mais quantidade, tanto de uns como de outros. Alho-francês foram 50 pés e beterrabas quase 70.


Usámos novamente o composto e fizemos a plantação também em locais diferentes de onde tinham estado da última vez.


Para preparar estes dois canteiros, tivemos que transplantar a salsa toda para o mesmo local, pois estava dividida entre os dois. Agora está toda num canto do canteiro das beterrabas. Quando fiz o transplante da salsa é que realmente tive consciência do tamanho que as raízes da salsa podem ter. Alguns pés tinham a raiz bem comprida, à volta de 20 centímetros!


Nesta parte do terreno, ao longo da Primavera e do Verão, foram nascendo uma couves-galegas, que não foram plantadas por nós. São "nascediças" de umas que os meus pais lá tiveram há uns 3/4 anos. Na altura, acabámos por deixar a maior parte delas e só arrancámos umas quantas. 

 
Agora tivemos que arrancar a maioria para podermos fazer estas novas plantações, mas abacelámos as mesmas noutro ponto do terreno, para as conservar intactas. Assim, vão conservar-se na mesma, intactas e de boa saúde, até à altura que as transplantarmos para o local definitivo.


E isto foi o que colocámos na horta, em Novembro. 

Estão ainda na lista de vegetais a cultivar:
➝ favas;
➝ ervilhas;
➝ alhos.

Na horta do quintal, ao contrário das minhas expectativas (pensava que ele tinha desaparecido), o chuchu voltou a rebentar e até já tem lá uns quase do tamanho certo para colher.

E o limoeiro, depois de o "castigarmos" com um prego, finalmente já produz limões e não só folhas e flores. Mas sobre esta operação que fizemos, eu falo noutro dia.


Uma vez mais, depois destes trabalhos feitos, fiquei de coração cheio, de orgulho no trabalho e sentido de dever cumprido. Se eu poderia viver sem horta e sem cultivar vegetais para consumir? Claro que poderia. Mas não era definitivamente a mesma coisa. 

Uma boa continuação de semana!

Boa continuação de semana!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A Obsessão das Abóboras

Este ano a minha madrinha teve umas quantas abóboras na horta dela, sendo a maioria delas das variedades mais pequenas. Teve principalmente abóboras manteiga, ou manteiguinhas, como ela lhe chama. E com tanta fartura, acabei por (re)descobrir a abóbora como alimento.

Até já tinha confessado por aqui, que andava um pouco "obcecada" por experimentar coisas diferentes com tão interessante vegetal, pois desde sempre me lembro de, por aqui, as abóboras só servirem para três coisas: sopa, doce ou belhoses de Natal.


As abóboras são nutricionalmente muito ricas:
- Contêm bastantes sais minerais essenciais, tais zinco, ferro, potássio, cálcio e magnésio;
- São ricas em fibras;
- Como se pode adivinhar pela sua cor laranja, têm um bom nível de betacaroteno, ou seja, antioxidantes naturais;
- Têm muitas vitaminas - A, Complexo B, C e E;
- E são pouco calóricas.
Tudo boas razões para se consumir este vegetal tão bonito.

Na sopa já a tinha usado: juntamente com um molho de salsa, alho, cebola e a última beterraba da horta, fiz um creme bem saboroso.



Mas depois de ver esta receita, cheguei à conclusão que haviam maneiras muito mais saborosas de consumir a abóbora.
A experiência seguinte foi abóbora grelhada: cortei fatias das abóbora com aproximadamente 5 milímetros, temperei com oregãos, coentros em pó e um pouco de azeite e levei a alourar numa frigideira anti-aderente. No final juntei umas gotas de molho de soja. Bastou uns minutos de cada lado até amolecer e ficou pronta. E eu fiquei fã :)


E um restinho que sobrou da primeira abóbora, cortei em cubinhos e salteei com cogumelos e cebola, para acompanhamento de uma massa. 
As sementes, separei, lavei, sequei e guardei: uma parte irei semeá-las no próximo ano e as restantes serão tostadas, para petiscar como aperitivo.

Entretanto já fui ao "supermercado" da madrinha buscar outra "manteiguinha" e estas são as receitas que estão na calha para as próximas experiências:


É nestas alturas, em que penso e tomo consciência, o quão afortunada eu sou. Por viver num local onde tenho hipótese de aceder a estas maravilhas, sem ter que enfrentar filas de supermercado. Por poder saborear produtos naturais, cheios de nutrientes e cheios de sabor. Por não ter que pagar por eles. Por ter locais onde posso cultivar o que quero, da maneira mais natural possível. Por ter tido essa capacidade de fazer as minhas escolhas para uma vida mais saudável, consciente e sustentável. 
E sou grata por tudo isso 💚

Bom fim de semana!

(aceitam-se sugestões de receitas de abóbora)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

7 Dicas Para Que Roupa Dure Mais Tempo - Parte 2

Para (re)ler as primeiras 3 dicas, é só seguir o link aqui.

Este tempo anda definitivamente louco. Não vou falar, outra vez, de como este Outono não está a ser Outono, mas o que é certo é que ainda não fiz as mudanças na roupa da casa, ainda não arrumei a roupa de Verão e a horta continua atrasada. Vejam só as temperaturas anormais que estão previstas para estes dias, aqui para o meu concelho:

(Fonte IPMA)


Absolutamente incrível! Mas agora que já me queixei das alterações climáticas, volto ao tema de hoje: as minhas dicas para que uma peça de roupa dure mais tempo:

4. EVITEM COLOCAR ROUPA COLORIDA E DELICADA AO SOL DIRECTO. 

O sol "come" as cores e faz com que as roupas fiquem desbotadas e com manchas. Se forem tecidos delicados podem mesmo ficar danificados. Já estraguei algumas peças de roupa assim e não é agradável. Se não tiverem outra alternativa, sugiro que sequem a roupa colorida do avesso, pois assim minimizam os estragos.

5. TENHAM ATENÇÃO ÀS CENTRIFUGAÇÕES INTENSAS.  

Agora as máquinas têm programas com rotações intensas (na ordem dos 1200 RPM - rotações por minuto), o que faz com que consigamos tirar as roupas quase enxutas, diminuindo o tempo que demora depois a secar. É bom, não é? A questão é que há tecidos, como as lãs (e alguns similares) que, com as rotações tão fortes, ficam deformados, mesmo que sejam peças de extrema qualidade. Tem a ver com a composição e a forma como o pano é tecido. E ninguém quer tirar da máquina aquela camisola linda que recebeu no Natal com uma manga maior que outra, certo?
Para esses tecidos mais frágeis, convém seleccionar com baixa ou sem centrifugação, ou até mesmo considerar lavar à mão.

6. LAVEM MAIS ROUPA À MÃO. 

Pois é, as peças de roupa lavadas à mão duram bastante mais tempo do que lavando à máquina, mesmo quando são escolhidos programas mais leves. Ainda há 15 dias tive uma experiência dessas. Eu tinha comprado umas calças de sarja pretas no final do ano passado e, para manter a cor, sempre as lavei à mão, água fria. É lógico que ia sempre saindo um pouco de cor nas lavagens, mas ficavam sempre uniformes, sem riscos de falta de cor. Pois esta vossa amiga aqui resolveu colocá-las na máquina, a 30ª C, programa rápido e centrifugação leve. 
O resultado não foi bom, mal as tirei da máquina vi logo a asneira que tinha feito. Ficaram com vários riscos mais claros, a cor deixou de estar uniforme e numa perna ficou um risco horizontal, como se tivesse sido desenhado com régua. Serviu-me de emenda.
Todos os tecidos/peças que sejam mais delicados ou que tenham tengimentos mais coloridos, para durarem bastante tempo, têm que ser lavados à mão. Camisolas de lã e similares, lingerie, sedas, echarpes e lenços, collants, meias de lãs, roupas escuras, entre outros, são algumas das peças que lavo à mão. 
Dica: Para a tarefa de lavar a roupa à mão não ser tão chata, não acumulem muitas peças de cada vez. É mais fácil lavar só 2 ou 3 peças, do que 15.

7. AREJAR EM VEZ DE LAVAR.

Pode até parecer estranho, mas é verdade: muitas vezes quando lavamos uma peça de roupa, ela não precisa de ser mesmo lavada. Não estou a falar, obviamente, de roupa que tenha nódoas, transpirada, interior, ou que tenha mesmo sujidade. Mas peças como casacos (blazers, sobretudos...), saias, calças, cobertores, lenços e outros do género, podem ver a sua vida prologada, se forem lavados menos vezes. O truque é pôr a arejar, para "refrescar" as roupas de cheiros, como fumos, comida, etc. É só colocar num local com vento ou corrente de ar, para os tecidos ficarem mais "frescos" e livres de cheiros indesejáveis. E mesmo que seja uma "adepta" da limpeza e bastante céptica em misturar peças de roupa "lavadas" e "arejadas", nesta podem ir por mim. 
Dica: Aproveitem e usem esta técnica também em roupas que não sejam muito usadas, para que não fiquem com aquele desagradável "cheiro de armário".

https://pt.pinterest.com/pin/268104984046371082/

E estas são as minhas regras de ouro para que a roupa dure mais tempo.

Bom Fim de Semana e aproveitem para ir caminhar!