segunda-feira, 24 de abril de 2017

As Flores da Horta

Os trabalhos na horta estão ao rubro! Neste tempo de se começar a colher algumas coisas (cebolas, couves, favas, ervilhas, alfaces...), outras estão para ser semeadas e plantadas (tomates, abóboras, pimentos, melões, mais cebolo, pepino...). As ervas daninhas também já tomaram conta do terreno e temos que andar sempre de volta delas, senão "engolem" as nossas culturas. E para além destas tarefas já habituais, o tempo tem estado mais de Verão que Primavera, ou seja, já temos que andar a regar tudo e é se queremos, pois chuva para estes lados tem sido NADA. 

Mas apesar da canseira habitual, não nos podemos queixar. A horta tem sido bem generosa 💖

Hoje partilho com vocês, não os resultados das nossas colheitas, nem os trabalhos de sementeira e plantação, mas sim o que a Primavera tem de mais colorido: as nossas flores 🌺🌼🌸

↪ Começo com as Flores Silvestres, que a Natureza resolveu partilhar connosco.


Fumária temos com fartura, ao longo de todo o terreno. Foi o que nos valeu o ano passado para chamar as nossas amigas abelhas. E como podem ver na foto abaixo, elas continuam a gostar.



No ano passado não vi nenhuma, mas este ano já se vêem aqui e ali umas Papoilas para colorir (ainda mais) a horta.


A Erva de S. Roberto, também dá o ar da sua graça, embora com menos quantidade. Se quiserem relembrar para que serve esta planta silvestre, vejam aqui.


Há também nesta horta tão silvestre, uma flor bem aromática e calmante: a bela da Camomila Silvestre.


E apesar de não ter nascido aqui, mas sim a cerca de 5 Km, temos a Borragem. Como tinha dito aqui, a Borragem tem uma flor linda de morrer e já a queria ter na horta há muito tempo. Pois agora já tenho. Conseguimos transplantar com sucesso cerca de 7 pés e se tudo correr como manda a lei da natureza, no próximo ano já devem nascer sozinhas.


↪ Mas agora também já temos flores que normalmente estão no jardim, só que as nossas estão na horta. Algumas já estão a florir e outras para lá caminham.


Estes Lírios já estão na horta há muitos anos, mas no meio de tanta erva raramente se viam. Como o terreno agora já está mais bem tratado, este ano já não se escondem.


Estas Frésias cheirosas foram plantadas no ano passado e este ano cá estão a dar o ar da sua graça.


Os Crisântemos só darão flor lá mais para o final do Verão, mas continuam bem tratados.


Neste canteiro estão algumas flores que vieram directamente da horta dos meus pais e que por aqui irão ficar. Para já ainda não florescem, mas algumas estão quase, quase... O nome das flores é que não sei pois este canteiro é departamento dos meus pais. Apenas sei que há Bocas de Lobo por aqui.


↪ Para finalizar, deixo-vos com as flores das nossas verduras: umas já a espigar para dar semente e outras a florir para dar fruto ou vagem.


As primeiras Ervilhas e Favas que semeámos já estão a dar vagens com fartura, mas as que semeámos a seguir ainda estão carregadinhas de flor. 


As Oliveiras estão mesmo para começar a florir, estão cheia de borbotos. Espero que este ano dêem bastante azeitona, para curtir, pois claro!


O Nabo Greleiro já tem flor. Agora é só aguardar que dê semente, pois queremos guardar o máximo que conseguirmos.


Para também recolhermos a semente, deixámos espigar um Brócolo. E ficou assim, cheio de florzinhas amarelas pálidas. 


Este Rabanete ainda não está em flor, mas falta pouco tempo. Deixámos na terra uns quantos, para podermos recolher também semente.


E estas são algumas das flores que temos agora na horta. As abelhas adoram e nós também 😄

Boa semana!

sexta-feira, 31 de março de 2017

Ervas do Casal

Vai fazer duas semanas no próximo domingo, que fui fazer uma visita muito especial. Já andava há bastante tempo a querer visitar uma quinta de produção biológica e nesse domingo foi o que aconteceu. Tive conhecimento através do Facebook que iria haver uma visita guiada a esta quinta e aproveitei logo para guardar lugar. E ainda bem que o fiz, valeu mesmo a pena. 
A quinta situa-se em Mogofores, Anadia e produzem ervas aromáticas em modo biológico.


À chegada fomos logo recebidos pela simpatia da Patrícia, acompanhada de bolo doce regional e infusões quentinhas das ervas de produção biológica local: tomilho, menta, lúcia-lima e hortelã-brava com stevia. E enquanto fomos esperando que todos os visitantes chegassem, fomos saboreando todos os sabores e vendo os vasos com algumas das ervas que são cultivadas por eles.

Depois das apresentações, iniciou a visita guiada propriamente dita. Começámos pelo galinheiro e eu que já ando com vontade de ter um galinheiro na horta há tanto tempo, ao ver as galinhas de raça portuguesa e a simplicidade da estrutura, fiquei logo inspirada para pôr as mãos à obra.


Continuámos pela quinta, conhecendo as diversas ervas, sempre com a explicação da nossa guia. Não as fotografei todas, nem pensar e a minha memória não comportou o nome de todas, mas posso dizer que vim de lá apaixonada pelo aroma de umas quantas.

(Consolda)
A salva ananás, o tomilho bela-luz, a menta piperita e a erva do caril, foram as que me ficaram na memória do nariz, pois tinham um cheiro fabuloso. 

(Salva Ananás)
Mas em termos de beleza e cor, a borragem e a calêndula foram as minhas favoritas e fiquei com vontade de as ter na minha horta.
(Calêndula)
(Linhas de cultivo - Camomila em destaque)
(Pimpinelas, Salvas e a nossa guia lá no fundo)
Vimos ainda as estufas com as mudas das próximas culturas, a zona de secagem das ervas e alguma maquinaria usada.


E para acabar em beleza, ainda pudemos comprar saquinhos de ervas, à nossa escolha: eu lá me controlei e só trouxe stevia, segurelha e manjerona. 

Não me vou alongar muito mais com a descrição da visita, vou apenas dizer que aprendi muito e que fiquei bastante satisfeita. As ervas que trouxe já foram testadas e comprovo a qualidade. Biológico tem definitivamente um outro sabor.

(A certificação biológica da Natureza: a presença das joaninhas 💖)
Se quiserem conhecer também esta quinta e os seus produtos, podem acompanhar todas as novidades na sua página de Facebook: https://www.facebook.com/ervasdocasal/

Eles vão tendo vários eventos no seu espaço, entre visitas, workshops e outros, por isso podem aproveitar e conhecer mais sobre as ervas que tanto gostam. E se quiserem comprar as maravilhosas ervas aromáticas que vendem, é só estarem atentos às várias feiras, festas e festivais onde irão, um pouco por todo o país, ou então entrar directamente em contacto.

Bom fim de semana!!!

(Desculpem a fraca qualidade das fotos, mas com o telemóvel não se consegue melhor)

sábado, 11 de março de 2017

A Delícia das Couves Portuguesas Biológicas

A Primavera está à porta e, apesar da fraca precipitação ao longo do Outono/Inverno, a nossa horta floresce.

Já fez um ano que mudámos a localização da horta e bendita a hora que o decidimos fazer. Agora temos mais trabalho, mas os resultados também têm sido melhores e isso inspira-nos a fazer mais e mais. Ainda não estamos na fase da autossustentabilidade, mas a produção já satisfaz e para lá caminhamos, passo a passo.

Há dois ou três dias apanhei a primeira couve portuguesa, daquelas que plantámos em Novembro passado. Demoraram um pouco mais a crescer do que estava inicialmente à espera, mas a verdade é que a falta de chuva atrasou o desenvolvimento de tudo, no geral. Mas a espera valeu a pena, oh se valeu!

Logo nesse dia à noite fiz sopa com essa couve e a diferença no sabor foi incrível! Não houve grande diferença nos ingredientes que usei para a base desta sopa, em relação às sopas anteriores. A única diferença é que em vez de couve de outras hortas ou de supermercado, usei a nossa primeira couve, cultivada em ambiente totalmente biológico. Mas o sabor ficou bem diferente. Aliás, ficou com sabor, que é uma coisa que falta a todos os legumes "de aviário".


E já sabemos, que para além do paladar ser diferente, os legumes cultivados em modo biológico têm também uma coisa que, apesar de não ter sabor, tem muita importância: têm mais nutrientes, logo mais saúde. 

Nos dias de hoje, que tanto se fala de nutrientes, vitaminas, minerais, antioxidantes, proteínas, hidratos, gorduras, açúcares, etc, esquecemo-nos que há diferenças, em termos de riqueza nutricional, entre alimentos biológicos e alimentos de produção massiva. Bem sei que nem todas as pessoas têm local, tempo ou vontade de ter horta, mas a verdade é que até é fácil cultivar coisas, nem que seja na varanda.

(vista geral do canteiro com as primeiras couves que plantámos)

E já existem muitas soluções para quem não pode, não quer ou não tem terreno ou tempo para cultivar. Cada vez mais agricultores apostam no modo de produção sustentável e biológico e nós, conscienciosos consumidores, é que ganhamos.

Nós por cá, vamos continuando a cultivar os nossos legumes e frutas, totalmente sem químicos, respeitando as regras da Natureza, aproveitando os seus saborosos resultados e comendo pratos muito mais ricos, tanto no sabor, como na nutrição.
E vocês?

Bom fim de semana!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Benefícios e Utilizações do Boldo

Há uns meses atrás recebi um presente especial de uma das minhas tias. Foi um presente num vaso, mas não foi nenhuma flor. Foi antes uma planta medicinal e para mim tem tanto ou mais interesse que uma simples flor. Ora esta plantinha, pode não ter a maior beleza do mundo, mas encerra nas suas folhas benefícios que o meu interior bem que agradece: O Boldo.


Eu antes não conhecia a planta, nem nunca tinha ouvido falar dela, mas um dia, após ter tido umas dores na zona da vesícula, a minha tia deu-me para beber uma garrafa com infusão de Boldo. Passado pouco tempo, as dores desapareceram. Logo aí investiguei os benefícios do Boldo:

- Digestivo;
- Estimula o funcionamento da vesícula;
- Estimula a produção da bílis;
- Ajuda a digerir gorduras;
- Combate a azia;
- Ajuda no bom funcionamento intestinal.

Investigando mais um pouco, descobri que existem três tipos de plantas, que são chamadas vulgarmente de Boldo, mas que têm algumas diferenças entre elas, nomeadamente as indicações terapêuticas:
↣ o Boldo-de-Jardim ou Boldo-da-Terra, arbusto com as folhas aveludadas e recortadas - que é o meu;
↣ o Boldo-do-Chile, árvore originária dos Andes;
↣ e o Boldo-Baiano, também conhecido como Assa-Peixe e Alumã, muito cultivado nas hortas do Brasil.

(Vejam aqui algumas das diferenças delas.)

Para quem não tem a planta em vaso ou no jardim, pode adquirir facilmente folhas desta erva seca embalada ou em saquetas.

Como preparar a infusão:

Colocar as folhas num litro de água fervente e deixar repousar durante 5 minutos.
Tomar 1 chávena 3 vezes por dia, antes das refeições.
Atenção: se as folhas forem frescas tenham atenção à quantidade e ao tempo que deixam em infusão, pois pode tornar-se muito amargo (com sabor a bílis).

O meu vaso ficou na varanda dos meus pais, pois a planta é muito sensível ao frio e às geadas e lá fica bem abrigado. Mas, apesar do local onde está ficar bem protegido, naquela semana do frio glaciar ainda foi atingido. Dos dois rebentos que tinha, só ficou um. Mas entretanto já rebentou novamente e qualquer dia já dá para transplantar para outro vaso. Maravilhosa Natureza 😍

Boa semana!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

5 Dicas Infalíveis (e Naturais) para uma Pele Bonita e Saudável

Há cada vez mais pressão para sermos todas(os) lindas(os) e perfeitinhas(os). E há cada vez mais produtos (naturalmente químicos) que vendem essa ilusão. Então produtos para o rosto, há mais que muitos e o uso de todos garante-nos "uma tez perfeita".

Ora, segundo nos dizem as marcas de produtos de beleza, os media, a publicidade, os famosos e os que querem ser, precisamos do seguinte para sermos as(os) mais belas(os) do planeta e arredores: creme de dia, creme de noite, creme de olhos, creme com um toque de cor, base, pó compacto, corrector de olheiras, corrector de defeitos, corrector de borbulhas, primer, BB Cream, CC Cream, bronzer, iluminador, produtos de fixação (que com tanta coisa na cara, temos mesmo que fixar, senão cai), fora o blush, o baton, sombras diversas, lápis de lábios, lápis de olhos, rímel, brilhos, e sei lá mais o quê. Já fiquei cansada e com a pele a borbulhar, só de escrever esta lista - que não está sequer completa!

Claro que não concordo que seja preciso tanta substância estranha na cara, para ter uma pele de princesa e com menos rugas. Até porque a pele precisa de respirar para ser saudável. E, quando se apresenta baça e/ou com borbulhas, é reflexo de outras questões, tais como: stress, desnível hormonal, falta de descanso, alimentação com muita gordura, tabaco, álcool em excesso, etc.

Eu não tenho grandes queixas da minha pele, uma vez que trato dela o melhor que posso. E vou partilhar com vocês os meus 5 segredos para ter uma pele saudável e bom aspecto. Dois deles actuam por dentro e regulam a saúde interior e exterior. Os outros 3 actuam por fora e dão uma ajudinha ao que a natureza nos deu. Uns são preventivos e outros são correctivos, mas acima de tudo são eficazes.

1 - Alimentação Antioxidante:
O que comemos tem influência directa no aspecto da nossa pele. Eu reparo nisso principalmente na altura de festas, porque acaba por ser a altura em que se descarrila mais, para estes lados. E no final do ano, notei ainda mais. Não é que eu tivesse abusado muito no Natal, mas já estou tão habituada a ter uma alimentação equilibrada, com muitos legumes, pouca gordura e sem ingredientes processados, que qualquer diferença já me faz ficar com uma ou borbulha, que não é normal para mim.
A saúde da pele começa definitivamente pela boca, por isso deve-se consumir alimentos variados e naturais, ricos em vitaminais e sais minerais. Deve-se esquecer a fast-food, a gordura, os açúcares, a comida processada e consumir com moderação álcool, café e carne.
Para terem uma ideia do que deve ter uma alimentação nutricionalmente rica, vejam aqui.


2 - Sono de Beleza: 
Quando não durmo bem ou quando durmo menos que o meu corpo precisa (que são as 8 horas), a pele é que paga. Dá logo sinal, fico com a pele baça, mais vincada e cheia de olheiras. E não há corrector de olheiras e similares que me valham. 
A solução é dormir bem e o suficiente.

3 - Limpar a Pele Antes de Dormir:
Antes de nos deitarmos devemos limpar a pele, quer usemos maquilhagem ou não. Ao longo do dia a nossa pele atrai porcaria. Não há outra forma de dizer isto. É que atrai mesmo. Seja a poluição do ar, seja o pó ou a terra (como quando vou para a horta), durante o dia tudo isto vai-se "colando" à cara e mesmo lavando a dita antes de deitar, nem sempre se consegue limpar tudo.
Eu costumo usar água de rosas. É um 2 em 1: limpa a pele e funciona como tónico. É bastante simples de usar. Com um pouco de algodão embebido e fazendo movimentos circulares, vou limpando a pele. Já experimentei aqueles produtos (cremes, leites de limpeza e tónicos) mas, para mim, não são tão eficazes como a água de rosas. 
E se, excepcionalmente, tiver usado muita maquilhagem (que é raro) que a água de rosas não tire, é só usar um pouco de qualquer creme gordo ou óleo, que sai tudo.


4 - Esfoliação Regular:
Para uma pele bonita, para além da limpeza diária, deve-se esfoliar regularmente a pele. Para além de ser uma forma de limpeza mais profunda, também ajuda a activar a micro-circulação e a renovação celular. Existem várias receitas naturais de esfoliantes naturais, uns à base de açúcar, outros à base de sal, mas o meu preferido de sempre é o de café. 
Só tem um ingrediente, é uma forma de aproveitamento de um resíduo do dia-a-dia e, ao mesmo tempo que esfolia, hidrata. Para além do cheiro, que adoro. E sempre que preciso de revitalizar a minha pele na hora, a esfoliação de café faz magia. Não falha, dá logo resultado na primeira utilização.
Relembrem aqui como fazer.

5 - Máscara de Clara de Ovo:
É totalmente natural e também só tem um ingrediente: a clara de ovo. E nem é preciso usar uma clara inteira. Eu retiro apenas um pouco da clara e consigo aproveitar o restante ovo. Esta máscara é fácil de aplicar: apenas embeber um pouco de tecido ou algodão na clara e ir passando na pele até criar uma camada. Deixar secar na pele e quando a clara estiver seca, ou quase, retirar com água fria. É instantâneo, logo na primeira aplicação nota-se que os poros fecham e as rugas atenuam-se. 
Da primeira vez é um pouco estranho, sente-se um lifting imediato da clara a secar e a repuxar a pele. Mas é bastante eficaz e, tanto eu como ele, usamos regularmente.

E estas são as minhas dicas para uma pele bonita e, acima de tudo, saudável.
Experimentem e partilhem os resultados. E se tiverem outras dicas, partilhem também :)

Boa semana!


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A Horta de Janeiro (2017)

O terreno onde agora está a nossa horta é bastante grande, pois são cerca de 1000 metros quadrados de área cultivável. A terra é boa, fértil e não está nada desgastada, pois teve bastante tempo para se regenerar, uma vez que esteve sem uso durante muitos anos.
Um dos principais impedimentos a cultivarmos ainda mais coisas na horta, é o facto de não termos maquinaria que nos ajude a trabalhar a terra de forma eficiente. É tudo a sair do corpo: braços, pernas e costas. E como o terreno esteve tantos anos sem ser cultivado, as ervas daninhas tomaram conta dele.

Mas no início do mês tivemos uma ajuda e bem preciosa! Contratou-se os serviços de um tractorista e a parte do terreno que ainda não tínhamos usado, foi todo fresado. A diferença é enorme, como devem imaginar. A terra ficou muito mais fofa e as ervas daninhas levaram uma coça.

(vista de parte do terreno que ainda não tinha sido usado e dos 4 canteiros elevados)
É lógico que ainda temos muito que fazer e possivelmente tão cedo não iremos usar o terreno todo, mas já foi uma ajuda preciosa como base daquilo que se pretender fazer.
Agora fica a nosso cargo fazer os canteiros elevados, colocar flores e "sebes" de aromáticas, plantar mais árvores e, talvez, quem sabe um dia, fazer um charco e sabe-se lá, daqui a uns tempos, um galinheiro... O céu será o limite :)

Regressando à terra e ao presente, o que importa é que a base já está feita. E aproveitando isso mesmo, mal a terra foi fresada, fomos a uma feira semanal da zona e comprámos alhos para semear, que tinham ficado em espera da lista das culturas de Inverno.
Mas em conversa com o senhor feirante, acabámos por comprar também couves, da variedade bacalã, algumas alfaces e uns pés de cebolas roxas (que são maravilhosas em saladas). Nesse próprio dia colocámos tudo na terra, em consociação correcta.

(canteiro esquerdo - cebola roxa, alfaces e alhos | canteiro direito - couve bacalã)
Agora temos optado por fazer praticamente todas as sementeiras e plantações em canteiros elevados (também conhecidos como raised beds), pois as vantagens são mais que muitas e acaba por dar menos trabalho que andar a fazer regos. 

Dias depois semeámos umas favas bio (semente sem tratamento que tínhamos comprado na mesma feira) e umas ervilhas numa parte do terreno que tem muitas raízes de ervas daninhas, para azotar bem aquele lote e para ver se nos conseguimos livrar daquelas pragas. Logo abaixo colocámos nabo greleiro de 40 dias.

(sementeira das favas e ervilhas; à direita nabo greleiro - tapado por fetos secos para afastar a passarada)
Aproveitando que o terreno já está mais fácil de trabalhar, antes que viesse a (bendita) chuva fez-se mais quatro canteiros elevados (primeira imagem).
No primeiro colocámos semente de rabanete nos lados e transplantámos algumas beterrabas para a fila do meio. Mais tarde iremos colocar couve-flor nas filas entre os rabanetes e as beterrabas, seguindo as regras da consociação.

(primeiro canteiro lado direito - rabanetes e beterrabas)
(pormenor das beterrabas transplantadas)
Nos restantes iremos depois colocar feijão, mais couves e outras culturas da época. Os pássaros aproveitam logo para ir picar a terra, pois as minhocas ficam mais fáceis de alcançar. Até é engraçado ver a lufa-lufa deles. Só não acho tanta graça quando eles vão picar a terra que já tem sementes.

O frio glaciar que fustigou o país acabou por não ter grande impacto aqui na nossa horta. Logo no primeiro dia colocámos fetos secos e fagulha (vulgarmente conhecido como mato por aqui) sobre as plantas, para as proteger das geadas. E apesar de termos tido à volta de 10 dias de geada consecutivos, conseguimos salvar todas as plantações.

Entretanto, começou finalmente a chover e os alhos que tínhamos semeado há mais de uma semana começaram logo a "saltar".


(os alhos adoraram a chuva)
Mas as couves, favas, ervilhas, o alho francês, tudo no geral arrebitou bastante com a chuva. E é uma alegria ir agora à horta e ver como uma hora de trabalho por dia, em 3 ou 4 dias por semana, pode dar tanto resultado. E somos só dois, sem maquinaria pesada. Quando se quer, consegue-se. Basta força de vontade e espírito de "quando não se tem cão, caça-se com gato".

(pormenor das primeiras couves)
(fila de ervilhas - depois da geada passar deixaram-se alguns fetos, para evitar o crescimento das ervas daninhas)
(3 fileiras de favas bebés - apenas duas ou três ficaram com as folhas queimadas da geada negra)
E para provar que a mãe Natureza sabe o que faz, no local onde no ano passado estiveram os coentros, já lá estão uns rebentos. Nasceram assim, sem se ter que colocar semente. Há lá coisa mais maravilhosa que isto?
(coentros bebés no meio de outras ervas - fila do meio)
Hoje, que pouco ou nada choveu, aproveitámos para ir horticultar mais um bocado.
Fizemos dois alfobres: um de alfaces (que serão transplantadas para fazer consociação com outras culturas) e outro de chicória ou acelga. Este último só teremos a certeza quando nascerem, pois foram sementes dadas pela madrinha dele e há essa dúvida. Teremos que esperar para ver o que sai. 
A madrinha dele deu-nos ainda uma variedade diferente de alhos, bastante grande, que chamou de alho holandês. Também os semeámos hoje, entre as couves. E para completar o dia, enquanto eu espalhava cinza por cima das couves, cebolas e alhos, ele plantou um grande pé de alecrim no cimo da horta. 

Assim ficou completa a Horta de Janeiro.

Boa terça-feira!

domingo, 22 de janeiro de 2017

Toda a Acção Tem uma Reacção

Toda a acção tem uma reacção;
Cá se fazem, cá se pagam;
Quem semeia ventos, colhe tempestades;
Gentileza gera gentileza;
Tudo o que vai, volta*;

Estas são algumas expressões que, mesmo não parecendo, transmitem todas a mesma ideia. A ideia de que tudo o que acontece tem uma consequência, boa ou má, consoante a acção que se tomou. Se repararem bem, existem várias frases populares, aparentemente diferentes, que nos "avisam" que, tudo o que fazemos, mesmo o que fazemos sem pensar, pode ter uma reacção, positiva ou negativa.

A maioria das vezes essa consequência não é imediata e talvez seja por isso que nós, humanos, vamos ignorando repetidamente o princípio que nos é insinuado pela 3ª Lei de Newton: Toda a Acção Tem uma Reacção. Esta lei científica é aplicada a corpos e a forças, mas na verdade podemos transpôr o que Newton diz, para uma ideia mais global. Essa ideia é que tudo o que fazemos, as atitudes que tomamos e as nossas decisões, tudo isso influencia o que se passa, ou irá passar à nossa volta.

(Pêndulo de Newton - imagem daqui)
Eu não pretendo, não quero e sempre tentarei não ser fatalista. Mas cada vez mais e mais as consequências dos nossos actos, como espécie, estão à frente dos nossos olhos.

E não são agradáveis.
 
Cada vez que consumimos em excesso, que compramos o que não precisamos, que fazemos lixo, que andamos de carro sem necessidade, que comemos comida processada, ou comida cheia de gordura e açúcares, que não dormimos o suficiente, que não praticamos exercício físico (nem que seja uma caminhada à volta do quarteirão...), que não reutilizamos objectos, etc, estamos a provocar uma reacção negativa, seja para o planeta, clima ou a nossa saúde.

E é tão fácil cair nesse erro.

Por exemplo, vamos a um centro comercial (shopping) dar uma volta e compramos uma peça de roupa feita do outro lado do mundo, seja China, Bangladesh, Taiwan. 
Usamos 2 ou 3 vezes essa peça. Pomos de lado ou logo no lixo porque deixou de estar "na moda", porque se estragou ou porque afinal não gostamos assim tanto dela. Parece mínimo.
Agora multipliquem este exemplo por centenas, milhares, milhões de vezes. Já não é tão mínimo assim.

E entretanto já foram gastas matérias-primas, usada energia/combustíveis para confeccionar as peças, para trazê-las do outro lado do globo para cá, foram embaladas e tudo isto para satisfazer um desejo de... quê? Que durou quanto tempo? 

Por vezes tentamos remediar as coisas e quando já temos o armário tão cheio, damos uma de viciadas em organização ou de minimalistas e destralhamos tudo até mais não. Pomos tudo em cima da cama e fazemos montes. E desses montes escolhemos ficar com um, que são as coisas que realmente gostamos, nos favorecem ou necessitamos. O resto para onde vai? Manda a lei do "destralhamento" e do "desperdício zero" que se deve doar ou reciclar, mas quantas vezes é que isto acontece, na verdade?
Depois de todo este trabalho, sentimo-nos melhor, mais leves, mais livres. 

Mas a primeira acção já está tomada. Já se consumiu em excesso, desnecessariamente. Já consequências. Pode já não estar na nossa casa mas está algures por aí, onde não devia.

Longe da vista, longe do coração?

É lógico que haverá sempre aquela parte do cérebro que justifica compras injustificáveis, com o "eu mereço ser uma princesa", "se eu comprar e usar isto os outros vão achar-me superior", "aquilo dá.me status" ou "se os outros têm porque é que eu não posso ter?" e outras palermices do género. É para isso que o Marketing e a Publicidade trabalham, é a sua função: de colocar à nossa frente produtos que não necessitamos, e que muitas vezes nos fazem mal, e convencer-nos a comprá-los. Ok, tudo bem, estão a fazer o seu trabalho. 

Mas existe uma coisa chamada de livre arbítrio, que todos nós temos, que é a hipótese de escolhermos comprar ou não, comer ou não, ir na cantiga ou não. Não é nenhum superpoder de alguns escolhidos. Todos temos o poder de escolha. 
Porque depois temos que levar com as consequências, sejam boas ou más. 
E nisso já não temos hipótese de escolha, porque a consequência, a reacção, a paga, ela vem.

Cada vez mais tem que haver uma racionalização das nossas necessidades e um consumo proporcional às mesmas. E depois deste consumo, tem que haver uma eliminação correcta dos resíduos e, se necessário, uma compensação da Natureza pelo que foi usado, destruído ou corrompido.
É fácil constatar que a Natureza tende sempre para o equilíbrio. Quando um dos lados da balança está mais para cima ou para baixo, ela vem e equilibra. E normalmente é à bruta.

Por tudo isto, não nos podemos (devemos) esquecer que, cada um de nós, apesar de ser um Individual, tem a sua importância e a sua força no Global. E cada um de nós é importante. Todas as nossas acções contam, para o bem ou para o mal, mesmo as que achamos que são insignificantes.

Boa semana!

* What goes around, comes around - usado comummente na lei do Karma.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Há Empreendedores Por Aí?

O ano está mesmo a iniciar e é uma boa altura para arriscar em projectos novos.

A Acredita Portugal é uma organização sem fins lucrativos cujo principal objectivo é o desenvolvimento e promoção do empreendedorismo em Portugal, tanto através da formação como de concursos de empreendedorismo. 

E é sobre isto que vos quero falar hoje. A Acredita Portugal e o Montepio associaram-se e criaram este Concurso de Empreendedorismo - O Concurso Montepio Acredita Portugal - que tem como objectivo premiar os melhores projectos e ajudar todos os portugueses interessados a desenvolver as suas ideias empreendedoras.

Se tiverem alguma ideia de negócio, mas não saibam como a colocar em prática ou se já começaram a pôr em prática essa ideia, mas gostariam de ter a opinião e apoio de especialistas para avançar mais, este é o concurso de empreendedorismo certo para vocês. 


A inscrição é muito simples, gratuita e não há qualquer pré-requisito para a fazer. Qualquer pessoa, independentemente da sua formação e idade, desde que tenha uma ideia de negócio, pode-se inscrever. Apenas se tem que aceder aqui e fazer a inscrição.

Apressem-se empreendedores, arrisquem e inscrevam-se :) 

O prazo está quase a terminar! Inscrevam-se até 15 de Janeiro e quem sabe se não é agora que a vossa vida muda?

Para mais informações sobre o concurso: http://www.acreditaportugal.pt/informacoes/

Esta publicação é uma colaboração entre o "Ecológica, quem? Eu?" e "Acredita Portugal"

sábado, 7 de janeiro de 2017

Bem-Vindo 2017 e os Livros do Ano

Terminou mais um ano e outro já começou.
Muitas coisas importantes aconteceram e outras nem por isso.
Mudámos a horta de local e já há planos para torná-la cada vez mais sustentável, biológica e em perfeita comunhão com as leis da Natureza. E isto, neste momento, desempenha um papel muito importante no meu caminho.
Foi também o ano em que as alterações climáticas se fizeram sentir verdadeiramente. Eu senti-as! Estações trocadas, Verão imensamente quente, Primavera e Outono praticamente inexistentes e a sensação que as pessoas ainda não se aperceberam do real perigo que tudo isto traz, para a vida dos humanos como a conhecemos.
Consegui consolidar o meu armário e agora já tenho a base para durante muito tempo não me preocupar com ele.
Cada vez mais sei como quero (ou devo) viver a minha vida e foi no ano de 2016, com todas as experiências que tive, as boas e as menos boas, que me levaram a esse caminho.
E muito mais.

Uma das decisões que tomei no ano anterior (e que é para continuar) é de ler os livros que já tenho, alguns até há bastante tempo, e que por alguma razão ainda não li. Da lista de 2016, apenas o último é novo, (embora não seja meu). Todos os outros já habitam as bibliotecas pessoais da família (minha e dele, dos meus pais e dos meus sogros) há algum tempo.
A razão principal desta decisão foi porque cheguei à conclusão que já tinha à minha disposição muitos, tantos, bastantes livros, de vários géneros e autores diferentes. Porquê gastar mais dinheiro e acumular mais, se ainda tenho tanta página que folhear, tanto livro para ler, tanta folha para marcar?

Uma vida mais simples também passa por isto, por tomar este tipo de decisões. 
Sim, eu posso comprar um livro onde o autor ou a autora me conta como simplificou a sua vida e tirar ideias para aplicar ao meu dia-a-dia. Claro que sim.
Mas também posso ir buscar um livro à estante dos meus sogros, que está a apanhar pó há anos (acho que até fui a primeira pessoa a lê-lo...), vencedor de um Pulitzer e que me surpreendeu de uma forma tão maravilhosa, que me inspirou ainda mais a ser uma pessoa melhor.
O livro é "Não Matem a Cotovia" e se não tivesse tomado a decisão de ler os livros mais antigos, este possivelmente seria um daqueles que não compraria. E era eu que perderia, oh se perderia.

Alguns dos livros que li em 2016
Esta é a lista de livros que li em 2016:

Agatha Christie: "Poirot Investiga"
                           "As 4 Potências do Mal"
Harper Lee - "Não Matem a Cotovia"
Júlio Dinis - "Uma Família Inglesa"
Sarah Beirão - "Surpresa Bendita"
Érico Veríssimo - "Ana Terra"
Irving Wallace - "A Vigésima Sétima Mulher"
Liev Tolstói - "A Manhã de um Senhor (contos)"
John Le Carré - "O Fiel Jardineiro"
Alves Redol - "Avieiros"
Eça de Queirós - "A Cidade e as Serras"
Núria Masot - "A Sombra do Templário"
Mark Williams e Danny Penman - "Mindfulness"

Há livros que é preciso estar na altura certa da vida para os ler. Seja pela linguagem, pela história ou ensinamentos, há livros que é preciso ter tido certas experiências ou lido outros, para serem compreendidos e até gostados. Foi o que me aconteceu no livro do Eça, "A Cidade e as Serras". Já tinha iniciado a sua leitura na adolescência, mas avancei pouco e logo o pus de parte. Agora, consegui compreendê-lo melhor e não me aborreci tanto com as intermináveis descrições do autor.

E vice-versa: tenho livros que já li há algum tempo, que na altura adorei, e que agora, por alguma razão, ao relê-los não me causam o mesmo sentimento. Este ano aconteceu-me isso com "Avieiros" do mestre do neo-realismo português, Alves Redol. Quando o li a primeira vez, fascinou-me a sua crueza e admirei-me com dureza das vidas retratadas. Era uma jovem adulta e a vida corria-me sem sobressaltos. Mas agora desesperou-me e sofri muito com as suas personagens, apesar de ser um excelente livro.


Este também foi o ano em que fiz o curso de 8 semanas de Atenção Plena, guiada pelo livro de Mark Williams e Danny Penman - "Mindfulness". 
Já há bastante tempo que andava à procura de informações sobre Mindfulness/Atenção Plena, principalmente como poderia aplicar à minha vida e assim viver a vida de uma forma plena, mais verdadeira e com menos (muito menos) stress e ansiedade.
Encontrei a resposta à minha procura neste livro, que aconselho a todos. E não sou só eu que aconselho, pois é aconselhado pelo Sistema Nacional de Saúde Britânico como tratamento eficaz da ansiedade e depressão, sem medicação.
Mas sobre isto falarei noutra altura :)

Agora, uma nova lista já se está a formar, tendo à cabeça um livro de Paul Auster.

Que 2017 traga muitos sucessos, muita saúde, muita compaixão pela Natureza e pelos Homens, muito conhecimento, amizades e felicidade.

Bom Ano!